As fibras alimentares no nosso cotidiano

A ingestão diária desses compostos, presentes nos vegetais, é essencial para a saúde não só do intestino, como de todo o organismo

De acordo com o gastroenterologista Will Bulsiewicz, cerca de 97% dos estadunidenses consomem proteína em excesso, enquanto há uma deficiência na ingestão de fibras diárias. No Brasil, segundo a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a média do consumo de fibras é seis vezes menor do que o recomendado. O brasileiro ingere por volta de 4 gramas diariamente, sendo a recomendação de 24 gramas diárias pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Presente nas plantas, as fibras são carboidratos complexos. Embora exista um conhecimento popular sobre a função intestinal desses compostos, existem alguns mitos sobre eles.  

Existe a ideia de que todas as fibras são iguais, então para atingir a quantidade mínima diária recomendada para ingestão é só olhar o rótulo dos produtos. Esse conceito não está correto, pois há uma complexidade e uma variedade nos tipos de fibra alimentar. Em uma simplificação, classificou-se em duas formas básicas de fibra: solúvel e insolúvel. Essas duas categorias são determinadas pela dissolução do carboidrato quando submergido em água, mas a maioria das plantas contém uma mistura dos dois grupos.

Diferente do açúcar refinado, que tem sua digestão iniciada na boca, esse carboidrato não é digerido pelo metabolismo do ser humano. Ainda que existam algumas enzimas chamadas hidrolases de glicosídeos, que auxiliam na quebra de carboidratos complexos, nenhuma delas consegue metabolizar a fibra alimentar. Pelo corpo humano não realizar essa digestão, as fibras se mantêm estruturadas ao longo da passagem pelo intestino. Assim, esses compostos contribuem para o peristaltismo, ou movimento intestinal, e também agem no controle de colesterol e de açúcar no sangue.

No entanto, se os seres humanos vivessem em ambientes livres de bactérias, o verdadeiro poder da fibra seria desconhecido. Isso porque, na microbiota intestinal, esses seres vivos produzem enzimas de processamento dos carboidratos presentes nas mais diversas fibras alimentares. “Nossa microbiota intestinal pode conter mais de sessenta mil dessas enzimas úteis para a digestão de fibras”, como afirma Bulsiewicz. “Cada planta, cada tipo de fibra requer uma equipe única de micróbios trabalhando em conjunto”, complementa. A quebra da fibra por essas bactérias resulta, em geral, em ácidos graxos de cadeia curta. Esses produtos da fermentação das bactérias no intestino participam do metabolismo na produção de mediadores anti-inflamatórios e na saúde intestinal.

Texto adaptado do artigo: www.bluezones.com/2020/09/is-your-gut-starving-for-fiber-fiber-myths-busted-by-the-gut-health-md 

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