Como a Medicina do Estilo de Vida pode atuar no estado de inflamação sistêmica?

O cardiologista Bruno Colontoni informa sobre a compreensão da inflamação sistêmica no contexto da aterosclerose

A aterosclerose é uma inflamação em que há a formação de placas gordurosas em paredes de artérias, principalmente, do coração. A sua ocorrência é uma indicação para um estado inflamatório sistêmico no organismo. Em 2013, um estudo da New England Journal of Medicine foi um marco para a interpretação para a ocorrência da aterosclerose. Até esse momento, o acúmulo de placas gordurosas era, sobretudo, relacionado ao colesterol. No entanto, a partir dessa pesquisa, concluiu-se que esse quadro se amplia também para a disfunção endotelial e outras condições. Assim, houve uma mudança sobre percepção da aterosclerose enquanto uma doença irreversível e foram abertas novas discussões sobre os hábitos de vida que podem prevenir e tratar casos de inflamação sistêmica.

No IV Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, o cardiologista Bruno Colontoni explica como a inflamação pode ser identificada a partir de alterações observadas no consultório. Dentre as causas em primeira instância, está a falta do olhar para os pilares da Medicina do Estilo de Vida, com hábitos alimentares desregulados, sedentarismo, problemas no sono, tabagismo, estresse constante e relações interpessoais tóxicas ou solidão. No próprio contato com o paciente, é possível traçar medidas para a melhoria nesses aspectos.

Na alimentação, por exemplo, o especialista aborda como o alvo é identificar os alimentos pró-inflamatórios e os antinflamatórios. Carboidratos, gorduras, proteínas e vitamina B12 são considerados estimulantes do estado inflamatório. Já fibras, temperos e especiarias auxiliam no controle da inflamação no organismo. De acordo com um artigo de revisão publicado na revista Nature, a dieta ocidental é propensa ao aumento de triglicérides, um tipo de gordura presente no sangue e aumenta o risco de eventos cardiovasculares.

“Na cardiologia, trabalhamos dois padrões de estados inflamatórios, em que um deles se relaciona com as inflamações crônicas de baixo grau. Essas são as doenças que mais matam na atualidade”, explica o especialista. Segundo Colontoni, intervenções no estilo de vida e compreender a realidade para saber como abordar essas mudanças para o paciente são um caminho para reduzir o estado inflamatório sistêmico e os riscos associados a ele.

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