Como a percepção sobre o lazer pode impactar a felicidade?

A visão sobre o lazer como improdutivo ou desperdício de tempo pode impactar na saúde mental, como aponta pesquisa estadunidense

Compreender o lazer enquanto uma parte relevante do cotidiano – e não como um desperdício de tempo influencia diretamente na felicidade. Essa é a conclusão de um estudo publicado pelo Journal of Experimental Social Psychology e realizado na Rutgers Business School–Newark e New Brunswick, em colaboração com pesquisadores da Universidade de Ohio e da Universidade de Harvard. “Embora o trabalho possa dar um senso de propósito de vida, o lazer, como o tempo com família e amigos e os exercícios físicos, por exemplo, é o que torna nossas vidas felizes e saudáveis”, explica Gabriela Tonietto, principal autora do estudo.

Em uma sociedade que valoriza a produtividade, existe uma crença de que atividades de lazer são uma perda de tempo, explica a pesquisadora. Segundo a pesquisa, pensar nesse momento como um desperdício é um impedimento para vivenciar essas práticas simplesmente pelo prazer e felicidade que despertam, como sair com amigos, assistir à televisão ou descansar.  Por outro lado, o lazer mais objetivo, voltado a atividades como exercícios físicos e meditação, tendem a soar como produtivos e, assim, os indivíduos agregam mais valor a essas práticas. 

Os resultados do estudo indicam que as pessoas que não realizam atividades no cotidiano voltadas ao lazer têm uma maior tendência a terem consequências na saúde mental, como depressão, ansiedade e estresse. Nesse sentido, a pesquisa também sugere que a felicidade não está apenas impulsionada apenas ao lazer em si, mas ao encontro de um propósito e um valor nessas atividades antes vistas como um desperdício de tempo. 

Os pesquisadores atribuíram essa percepção à visão do lazer enquanto uma ferramenta de procrastinação do trabalho e de tarefas diárias. Contudo, o estudo dissolve essa relação e aponta o lazer enquanto uma atividade valiosa no cotidiano. Ainda que seja difícil transformar esse olhar repentinamente, Gabriela recomenda essa mudança aos poucos: “Para aqueles que pensam no lazer como um desperdício, focar em atividades mais objetivas pode servir como o início de uma transformação a longo prazo.” 

Texto adaptado do artigo: www.bluezones.com/2022/01/how-you-view-leisure-time-could-be-making-you-less-happy

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