Cozinhar em casa: uma prática de saúde e longevidade

Pesquisa aponta relação entre a preparação caseira de alimentos e a expectativa de vida, tanto pelo de cozinhar quanto pela melhor qualidade de alimentos ingeridos

Nas Blue Zones (“Zonas Azuis”) de todo o mundo, uma das semelhanças entre os seus centenários está na preparação de cada refeição e o consumo em casa. Cozinhar o próprio alimento é um hábito integrado à rotina dos habitantes dessas localidades, sendo as refeições realizadas fora de casa uma exceção, sendo reservadas para ocasiões festivas, como casamentos. No entanto, com o cotidiano acelerado das populações que vivem em centros urbanos, muitas vezes essa prática se inverte. 

Comer em restaurantes ou pedir delivery por aplicativos de entrega vem se estabelecendo como regra, enquanto o processo de cozinhar não tem tanto espaço entre as atividades diárias. Assim, o aumento do consumo excessivo de ultraprocessados, sódio, gorduras e açúcares impactam diretamente na saúde  Nesse contexto, como o preparo das refeições dentro do lar trazem repercussões tanto na melhoria da alimentação quanto na qualidade de vida, inclusive no aumento da longevidade.

Ao analisar os hábitos culinários de grupos de homens e mulheres em Taiwan e na Austrália, um estudo concluiu que comer refeições preparadas em casa até cinco vezes por semana aumentava a expectativa de vida em 10 anos. De acordo com essa pesquisa publicada pela Cambridge University Press, também houve a descoberta de benefícios nas diferentes etapas desse processo: planejar, fazer as compras dos alimentos e socializar durante as refeições. Para o pesquisador-chefe do estudo, o professor Mark Wahlqvist, cozinhar é um comportamento saudável: “Cozinhar deve ser uma prática presente na educação ao longo da vida, nas políticas de saúde pública, no planejamento urbano e na economia doméstica”.

Para elaborar um cardápio caseiro, gostoso e saudável, não é necessário ser um chef ou cozinheiro profissional. Aprender habilidades básicas, como cortar legumes, refogar e temperar, já é possível preparar pratos com grãos, leguminosas e carnes. Ao longo do tempo, novas habilidades vão se integrando à rotina e, com isso, também ideias mais ousadas surgirão para enriquecer as refeições e tornar a cozinha um hábito gratificante. Segundo especialistas, as vantagens estão tanto no processo quanto na melhor qualidade de alimentos ingeridos: “Quando as pessoas cozinham a maioria de suas refeições em casa, consomem menos carboidratos, açúcar e gordura do que aquelas que cozinham menos ou nada. Isso ocorre mesmo quando não existe o objetivo de perder peso”, pontua Julia A. Wolfson, professora assistente da Johns Hopkins University. 

Texto adaptado do artigo: www.bluezones.com/2018/04/want-to-eat-better-and-live-longer-learn-to-cook 

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