Transformações em hábitos alimentares podem reverter diabetes, diz especialista

O médico e pesquisador Neal Barnard explica como a dieta “plant-based” é a melhor escolha para indivíduos com diabetes tipo 2

De acordo com a International Diabetes Federation, por volta de 463 milhões de pessoas em todo mundo têm diabetes atualmente. A diabetes tipo 2 é uma doença crônica, em que há uma resistência à insulina, ou seja, o organismo diminui a produção desse hormônio ou perde seu efeito. Desse modo, ocorre o acúmulo de glicose no sangue e, com o tempo, surgem os sintomas desde sede constante, cansaço frequente e formigamentos até perda de visão ou lesões renais. Embora seja considerada uma doença crônica, estudos mostram que as escolhas alimentares são decisivas em relação ao risco de diabetes, como apresenta o médico Neal Barnard, pesquisador da área e professor da George Washington University School of Medicine.

No IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, o especialista apresentou algumas pesquisas que comparam dietas convencionais com a vegetariana estrita, em que não há consumo de nenhum tipo de alimento de procedência animal. Nesse estudo feito pela National Institute of Health, considerou-se um grupo que adotou uma dieta com limite de calorias, diminuição de gordura saturada e trans e redução do consumo de carboidratos. Comparou-se esse grupo a outro, o qual só realizava refeições chamadas “plant-based”, ou seja, com nenhum produto de origem animal, pouca ingestão de óleos e favorecendo alimentos com baixo índice glicêmico. Como resultado, os participantes com dieta vegetariana estrita tiveram uma diminuição três vezes maior nos índices de hemoglobina glicada, exame de sangue que analisa os níveis de açúcar no sangue, do que os que se mantiveram em uma dieta convencional.

Segundo Barnard, quanto mais gordura dentro das células, há uma maior dificuldade da entrada da glicose para o ambiente intracelular. Isso ocorre pelos lipídios interferirem no mecanismo da insulina, que age diretamente nos transportadores das moléculas de glicose para dentro das células. Por isso, alimentação rica em gorduras, principalmente de origem animal, influencia no acúmulo de lipídios intracelulares e, com o tempo, interferem no metabolismo da insulina. “Estamos usando as dietas erradas. A dieta vegana, sem nenhuma origem animal, não é apenas uma escolha alimentar, mas sim um estilo de vida poderoso. Permite que a insulina volte a trabalhar nesse metabolismo que sofreu interferência pelo acúmulo de gordura nas células”, explica o pesquisador. Para ele, mesmo que a diabetes seja considerada uma doença sem cura, é possível reverter o quadro por meio dessas mudanças alimentares.

 

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